
Eu caminhava naquela praia, meu vestido era branco e tinha uma fita preta amarrando meus cabelos.
Final de tarde já estava escurecendo, o som daquelas ondas pareciam estar dentro de mim, minhas fadas e minhas borboletas azuis me acompanhavam.
Eu não sabia exatamente o que estava fazendo ali e confesso que não me importava, tinha um papel amassado com nome de alguém em uma de minhas mãos.
Eu olhei ao meu redor, e sentia algo bom, molhei meus pés na beira da praia, a água estava gelada, e ele?
Ele estava lá e, eu sabia, eu podia sentir, mas por quê?
Por que até aqui me perturbas? “Vá embora, vá embora!”, era o que eu gritava à ele, mas ele com sua voz suave e serena perguntava ...
É isso que você realmente quer?
Seu corpo, aqueles olhos, aquele toque, me dominavam porque eu queria , porque eu deixava, porque eu o amava, porque eu era idiota o suficiente pra gostar daquilo tudo e mesmo sabendo que não devia, me beijou com tanta intensidade, que cheguei a ficar com as pernas bambas...
Mas o pior ainda estava por vir. Sabe aquele tipo de frase que... uff
''Eu te amo!''
Foi o que ele disse...
Ousei novamente olhar nos seus olhos, ele estava lá parado nos primeiros 5 segundos, tinha um sorriso lateral em sua boca, cínico, debochado, porém verdadeiro.
Quem foi que disse que não existe?
Depois de algum tempo, esse tal sorriso se transformou em uma ruga de preocupação. Sem dizer nenhuma palavra, o beijei na testa, me virei e fui embora. Ele com lagrimas nos olhos gritou meu nome. Eu tinha que ser forte, eu era forte, mas ele continuava a me gritar, correu em minha direção, segurou meu braço e pude ouvir mais uma vez ele dizer: ''Eu te amo!''
“Acredite em mim”, ele dizia.
Me entreguei aos meus sentimentos mais um vez, recolhi mais uma de suas lágrimas inúteis e abri minha boca.
Com um suspiro, ele parecia saber exatamente o que eu iria dizer. Conversamos entre olhares e resolvemos apenas não dizer nada.
Droga! Dormi demais... Já acabou a aula de Geografia?


